AMAPÁ, ENTENDA A CAUSA DO RECENTE APAGÃO

Aconteceu em novembro/20, após incêndio em uma subestação e uma série de falhas na segurança energética, 90% do  estado do Amapa ficou sem energia no dia 3 de novembro depois que um incêndio atingiu a principal subestação de energia do estado, que o  integra ao Sistema Interligado Nacional.

Há muito tempo  tenho comentado aqui  sobre a importância da manutenção e dimensionamento de redes elétricas de grande porte nas grandes  cidades onde a demanda de energia cresce a cada dia e não havendo um monitoramento , para redimensionamento dessas redes e sem a devida manutenção,  pode colocar o sistema em colapso.

A instalação funcionava com 3 transformadores na rede de distribuição,  sendo  que um deles estava em manutenção e parado à algum tempo por falta de peça de reposição. Sendo assim a instalação funcionava apenas com 2 transformadores que abasteciam a demanda. Ocorrendo uma sobrecarga em um deles a manobra foi feita para o segundo transformador que não suportando a demanda,  incendiou destruindo toda a instalação , observando que o terceiro transformador reserva ,estava em manutenção e parado á algum tempo .

Aí que reforço a importância da agilidade em sistemas críticos de energia .

Foi aí que uma portaria do Ministério de Minas e Energia autorizou a compra pela Eletronorte de 150 MW de energia elétrica do sistema integrado nacional.Também foi a estatal, parte da Eletrobras, a responsável pelo transporte e instalação de 37 geradores termoelétricos para responder à crise. O custo aproximado de R$ 21 milhões foi liberado pelo Ministério do Desenvolvimento Regional.

Quem deve pagar a conta?

A espanhola Isolux era dona da concessionária Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE), que recebeu em 2008 a concessão das linhas de transmissão do Pará para o Amapá por 30 anos. A Isolux entrou em processo de recuperação judicial e, no fim do ano passado, vendeu a LMTE à Gemini Energy.

Se as investigações concluírem que a responsabilidade pelos problemas é da LMTE, privatizada, ela deveria arcar com todos os custos adicionais. Agora, se a culpa é da Aneel, pelos problemas na fiscalização, o mais justo é que o Tesouro cubra" os prejuízos de seus consumidores. 

A operação da LMTE foi assumida pela Energy em janeiro deste ano. Três dias depois, um dos três transformadores responsáveis pelo abastecimento de 90% da população do Amapá apresentou falhas e ficou inoperante. Desde então, ONS e Aneel sabiam da perda desse transformador, único backup para o sistema inteiro.

Informadas as autoridades, que sabiam do problema, enquanto se tentava resolvê-lo", afirmam fontes da empresa, alegando passar os primeiros quatro meses de 2020 tentando consertar o aparelho de 100 toneladas na própria subestação de Macapá.

Até que, com a pandemia de covid-19, a LMTE informou as autoridades federais, por meio de ofício, que a existência da pandemia , seguida de medidas restritivas determinadas pelo governo federal, estados e municípios, poderão de alguma forma e em alguma medida afetar as obras em andamento e a prestação dos serviços de operação e manutenção sob responsabilidade da LMTE".

De acordo com o Relatório de Análise de Perturbação (RAP) preliminar feito pelo ONS , uma falha grave foi cometida pela LMTE no dia do incidente: pouco após a queda da energia no estado, os transformadores da subestação foram colocados à disposição do sistema mesmo sob incêndio, "sem a devida inspeção no pátio da subestação".

O texto afirma ainda que o apagão foi fruto de uma sucessão de problemas, atingindo até mesmo usinas hidrelétricas nas proximidades.

Temos que ter em vista que o Amapá é um desafio gigantesco comparado com outros meios; há uma população pequena, áreas grandes, de Floresta Amazônica e tudo com necessidade de redundância para garantia da estabilidade do sistema energético , um apagão dessa magnitude nunca é resultado de apenas uma falha ou um responsável."

Alguém tem que fiscalizar

O fato é que a empresa contratada é a principal responsável,  alguém tem que fiscalizar esta empresa, alguém tem que cobrar; quando somente privatizamos e não fiscalizamos, cobramos, deixando tudo na mão das empresas privadas sem regras claras, acontece o que aconteceu no Amapá, e pode acontecer em qualquer lugar do país

Desde 2015, a Aneel registra nove ocorrências de desligamentos nas quatro subestações da LMTE, já incluindo os dois transformadores danificados em 3 de novembro, e 21 desligamentos com corte de carga nas seis linhas de transmissão da empresa.

O objetivo não e´a critica ás empresas mas sim alertar para a importância da fiscalização aos sistemas criticos de enrgia , afim de não se colocar em risco o sistema energético dos grandes centros , provocando grandes prejuizos as vezes irreparáveis .